Resumo: À medida que a geração que viveu as migrações em massa ocorridas na sequência da descolonização portuguesa de 1975 envelhece, a oportunidade de documentar as suas memórias e relatos de experiências vividas está rapidamente a dissipar-se. Este projeto procura captar, preservar e analisar esses testemunhos em conjunto com as narrativas dos seus descendentes diretos. Através de uma série de micronarrativas audiovisuais, investiga-se de que forma as experiências de migração e deslocação são recordadas, interpretadas e transmitidas entre gerações, oferecendo perspetivas que complementam e ultrapassam as análises históricas de grande escala. Ao colocar em diálogo vozes e perspetivas diversas, MUn cria uma constelação de memórias que promove a interseção entre diferentes trajetórias da migração da descolonização, iluminando dimensões deste período histórico frequentemente ausentes das narrativas dominantes.
Do ponto de vista metodológico, MUn desenvolve uma abordagem narrativa intersecional e centrada em micronarrativas audiovisuais, breves histórias audiovisuais baseadas em testemunhos orais e arquivos pessoais. As micronarrativas funcionam simultaneamente como um instrumento metodológico criativo de documentação de testemunhos e como unidades analíticas que permitem examinar perspetivasindividuais sobre processos históricos. Ao combinar entrevistas, materiais de arquivo e comentário reflexivo, oferece-se uma análise intersecional e comparativa de como os migrantes da descolonização e os seus descendentes constroem, reinterpretam e transmitem memórias de deslocação. Esta abordagem permite explorar de que forma fatores como raça, género e classe influenciam a construção, transmissão e contestação das trajetórias migratórias, aprofundando a compreensão teórica de temas como a memória pós-colonial, a formação identitária e as dinâmicas entre memória individual e coletiva. Analisam-se ainda as narrativas pessoais e familiares como mediadores de processos históricos mais amplos e como as memórias contestadas de deslocação influenciam perceções contemporâneas de comunidade e identidade nacional, contribuindo originalmente para debates nos estudos pós-coloniais e memory studies.
Do ponto de vista metodológico, MUn desenvolve uma abordagem narrativa intersecional e centrada em micronarrativas audiovisuais, breves histórias audiovisuais baseadas em testemunhos orais e arquivos pessoais. As micronarrativas funcionam simultaneamente como um instrumento metodológico criativo de documentação de testemunhos e como unidades analíticas que permitem examinar perspetivasindividuais sobre processos históricos. Ao combinar entrevistas, materiais de arquivo e comentário reflexivo, oferece-se uma análise intersecional e comparativa de como os migrantes da descolonização e os seus descendentes constroem, reinterpretam e transmitem memórias de deslocação. Esta abordagem permite explorar de que forma fatores como raça, género e classe influenciam a construção, transmissão e contestação das trajetórias migratórias, aprofundando a compreensão teórica de temas como a memória pós-colonial, a formação identitária e as dinâmicas entre memória individual e coletiva. Analisam-se ainda as narrativas pessoais e familiares como mediadores de processos históricos mais amplos e como as memórias contestadas de deslocação influenciam perceções contemporâneas de comunidade e identidade nacional, contribuindo originalmente para debates nos estudos pós-coloniais e memory studies.
Articulando investigação teórica e prática artística, a equipa interdisciplinar e proveniente de quatro países (Portugal, Brasil, Cabo Verde e Moçambique) reúne uma vasta experiência em produção audiovisual, trabalho curatorial e análise histórica, oferecendo um modelo de investigação interdisciplinar e de envolvimento cívico que poderá ser replicado noutros contextos europeus.
Palavras-chave em português: Memória Pós-colonial; Identidade; Microhistória e Arquivo Visual; Documentário Interativo
Tipologia do projeto: Projetos de Investigação de Caráter Exploratório (PEX)
