A experimentação ocupa um lugar central na criação artística. Longe de constituir apenas uma estratégia de inovação formal ou tecnológica, afirma-se como uma prática de investigação que atravessa disciplinas, metodologias e meios de produção.
Num contexto em que as fronteiras entre imagem, som, corpo, espaço e tecnologia se tornam progressivamente mais permeáveis, a obra artística deixa de ser entendida como um objeto autónomo para se constituir como um processo de exploração, onde criação e conhecimento se desenvolvem de forma indissociável.
É neste contexto que se inscreve a segunda edição da INTERSENSUS –
Mostra de Arte Experimental, Interação e Realidades Estendidas. Mais do que apresentar um conjunto de obras organizadas por categorias ou tecnologias, a mostra afirma-se como uma plataforma de encontro entre criação artística, investigação e experimentação, promovendo o diálogo entre artistas, designers, investigadores, estudantes e público. A INTERSENSUS procura, assim, dar visibilidade a práticas que exploram criticamente as possibilidades da instalação, da imagem em movimento, da interação, das realidades estendidas e de outras formas híbridas de criação contemporânea.
As obras reunidas nesta edição evidenciam a diversidade de abordagens que caracteriza este campo de produção artística. Recorrem a processos analógicos e digitais, dispositivos óticos, ambientes imersivos, cartografias críticas, metodologias participativas e sistemas computacionais, revelando diferentes formas de relacionar imagem, corpo, espaço, memória, território e tecnologia. A diversidade das propostas apresentadas não resulta, porém, da multiplicidade dos meios utilizados, mas da capacidade de cada obra em construir relações singulares entre estes elementos e de abrir novas possibilidades de experiência estética.
Apesar da pluralidade de linguagens e processos, as obras partilham uma compreensão da experimentação como método de investigação e de produção de conhecimento. A tecnologia deixa, assim, de constituir um fim em si mesma para se afirmar como matéria de criação, instrumento crítico e meio de reflexão sobre as transformações culturais, sociais e sensíveis que caracterizam a contemporaneidade. Cada projeto propõe uma forma própria de observar, interpretar e questionar o mundo, convocando o público para uma participação ativa na construção da experiência artística.
Deste modo, a INTERSENSUS afirma-se como um espaço de circulação de ideias, de partilha de processos e de valorização da criação artística enquanto prática de investigação, contribuindo para ampliar o debate em torno das múltiplas formas de experimentar, produzir e compreender a cultura contemporânea.
Joana Casteleiro-Pitrez
Universidade da Beira Interior, PT
